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Área Professores > Programas > Programas Anteriores > Índice do Programa de Ciências Físicas e Naturais - Reorg. Básico

Programa de Ciências Físicas e Naturais - Reorg. Básico

Orientações Curriculares para o 3.º Ciclo do Ensino Básico

  conteúdos:   Consulte o índice aqui

6. SUSTENTABILIDADE NA TERRA

6.1 CIÊNCIAS NATURAIS

Ecossistemas
Interacções seres vivos – ambiente
Fluxo de energia e ciclo de matéria
Perturbações no equilíbrio dos ecossistemas


6.2 CIÊNCIAS FÍSICO-QUÍMICAS

Som e luz
Produção e transmissão do som
Propriedades e aplicações da luz

Reacções químicas
Tipos de reacções químicas
Velocidade das reacções químicas
Explicação e representação das reacções químicas

Mudança global
Previsão e descrição do tempo atmosférico
Influência da actividade humana na atmosfera terrestre e no clima


6.3 CIÊNCIAS NATURAIS/ CIÊNCIAS FÍSICO-QUÍMICAS

Gestão sustentável dos recursos
Recursos naturais - Utilização e consequências
Protecção e conservação da natureza
Custos, benefícios e riscos das inovações científicas e tecnológicas


6.4 EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS

6.4.1 CIÊNCIAS NATURAIS

A compreensão dos mecanismos fundamentais subjacentes ao funcionamento e ao equilíbrio dos ecossistemas é essencial para o desenvolvimento de acções, mesmo a nível local, de conservação e gestão do património natural, as quais podem contribuir de forma decisiva para a sustentabilidade da Terra.

Ecossistemas
Esta temática deve ser explorada numa perspectiva de educação ambiental. A questão ‘Por que estão os ecossistemas em equilíbrio dinâmico?’ pode estar subjacente ao desenvolvimento das diferentes componentes, constituindo também um ponto de chegada, de interligação dos vários conceitos envolvidos nas três dimensões apresentadas. Pretende-se que os factores abióticos, bióticos, cadeias e teias alimentares, ciclos de matéria e de energia não tenham um tratamento separado para não se perder de vista a ligação sistémica existente, de facto, na natureza.

Interacções seres vivos – ambiente

A questão ‘Como interagem os seres vivos com o ambiente?’ pressupõe que os alunos compreendam que do ambiente fazem parte não só as condições físico-químicas, mas também todos os factores que interactuam com os seres vivos em causa – factores abióticos e bióticos.

Para se iniciar o estudo dos ecossistemas, sugere-se o visionamento de um filme sobre a vida animal e vegetal com a correspondente discussão na aula. Os alunos devem compreender os conceitos de ecossistema, espécie, comunidade, população e habitat. De modo a rentabilizar a informação retirada do documentário, a respectiva discussão deve também ser orientada para uma reflexão sobre a influência de factores físicos e químicos do meio sobre cada indivíduo (efeitos de ordem fisiológica ou comportamental) e/ou sobre as populações (efeitos de ordem demográfica – sobre as taxas de natalidade ou mortalidade, emigração ou imigração dos grupos). Para complementar este assunto, cada grupo de alunos pode desenvolver pesquisas relativas a um factor abiótico (luz, temperatura, pluviosidade) e apresentar os resultados aos colegas. No âmbito do estudo desta temática podem também ser realizadas actividades experimentais para a observação, por exemplo, da influência da luz no desenvolvimento das plantas. Sugere-se ainda a construção de um aquário ou de um aquaterrário na escola, ficando em cada semana um grupo de alunos responsável pela sua manutenção; desta forma, os alunos têm que compreender a importância de controlarem certos factores abióticos para garantir a sobrevivência dos seres.

Certas interacções, como predação, parasitismo, competição, comensalismo ou mutualismo podem ser abordadas com recurso a diversas actividades. Sugere-se a discussão de exemplos concretos observados durante visitas de estudo a parques naturais, por exemplo e/ou apresentados em filme, fotografias ou diapositivos. Devem ser referidas situações de interacções inter e intraespecíficas, destacando-se os casos de canibalismo como expressão extrema da competição intraespecífica e de cooperação em grupos com comportamento social. Os alunos podem pesquisar em fontes diversas exemplos de interacções, para além dos que são analisados na aula, e organizar trabalhos que fiquem expostos na sala (por exemplo, organizar uma selecção de imagens). Relativamente a este assunto, deve ser valorizada a interpretação dos alunos face aos vários exemplos de interacções, identificando benefícios e prejuízos para os seres envolvidos, em vez da simples aplicação de terminologia.

Fluxos de energia e ciclo de matéria

Os alunos devem compreender a intensa actividade dos ecossistemas, onde os seres nascem e morrem continuamente, fluxos de energia e ciclos de matéria ocorrem ininterruptamente, como fenómenos e processos que contribuem para o seu equilíbrio dinâmico, do qual transparece uma imutabilidade apenas aparente.

A propósito dos fluxos de energia, relembra-se nesta altura, o papel do Sol como fonte de energia, provavelmente já clarificado em Ciências Físico-Químicas. Certos conceitos, como produtor, consumidor e nível trófico, podem ser referidos mediante a exploração de cadeias alimentares simples. Pode ser pedido aos alunos que construam cadeias alimentares, em texto ou desenho, de forma a serem interpretadas pelos colegas.

No que diz respeito aos ciclos de matéria, não se pretende analisar os vários ciclos biogeoquímicos, mas realçar a existência nas comunidades de grupos de seres vivos com actividades, de certa forma, complementares (produtores, consumidores e decompositores), que possibilitam uma reciclagem permanente da matéria. No caso dos alunos já conhecerem as mudanças de estado da água (constitui um conteúdo programático de Ciências Físico-Químicas, relacionado com as transformações físicas), terão facilidade em interpretar um esquema simplificado do ciclo da água, a título exemplificativo dos ciclos biogeoquímicos.

Tendo sido abordado o aparecimento de ilhas como consequência de actividades vulcânicas, sugere-se que os alunos conheçam o fenómeno da sucessão ecológica com base na colonização (fase em que pode ocorrer um crescimento exponencial das populações) e posteriores alterações nas comunidades que povoam esses espaços. Em alternativa, o professor pode optar por exemplificar a sucessão que ocorre após uma área ser devastada por um incêndio (o que será particularmente significativo se tiver ocorrido um incêndio numa região próxima). As simulações em computador podem facilitar a compreensão deste assunto.

Através da interpretação de gráficos, os alunos devem reflectir sobre a flutuação do número de indivíduos de uma população ao longo do tempo, respectivas causas e consequências (por exemplo, o aumento do número de indivíduos num espaço limitado pode originar maior competição e atrair predadores, aumentando a taxa de mortalidade).

Perturbações no equilíbrio dos ecossistemas

Atendendo a que inúmeras catástrofes podem comprometer o equilíbrio dos ecossistemas e a sobrevivência das populações humanas, os alunos devem reflectir sobre causas e efeitos de catástrofes (além das actividades vulcânica e sísmica, já abordadas, ocorrem outras catástrofes, tais como tempestades, inundações, secas, explosões, poluição ou contaminações). Deve dar-se particular relevo às que tiverem ocorrido recentemente e às que suscitarem maior interesse nos alunos. Essas catástrofes podem ser discutidas com base em notícias veiculadas nos meios de comunicação social e devem ser realçadas as respectivas medidas de protecção das populações.

A poluição, nas múltiplas formas que pode tomar, constitui uma das principais causas do desequilíbrio dos ecossistemas. Fontes de poluição, agentes poluentes e consequências da poluição são vertentes a serem exploradas neste tema. Sugere-se o contacto dos alunos com problemas reais, quer através de situações locais e/ou regionais que os afectem em particular quer mediante problemas mais gerais que afectam a Terra de um modo global e em particular os seres vivos. Deste modo, poderão constituir temas de discussão: o efeito de estufa, o buraco do ozono, as chuvas ácidas, a desflorestação, entre outros. Estes assuntos são passíveis de serem estudados sob a forma de pequenos projectos, inter-disciplinarmente com Ciências Físico-Químicas e Geografia.


6.4.2 CIÊNCIAS FÍSICO-QUÍMICAS

A sustentabilidade na Terra implica o conhecimento dos recursos existentes e da sua gestão. A Ciência e a Tecnologia têm tido, ao longo da história da humanidade, uma enorme importância na obtenção, transformação e utilização desses recursos. É nesta perspectiva que se integram neste tema conteúdos seleccionados e a serem desenvolvidos na disciplina de Ciências Físico-Químicas. As duas questões ‘De que modo a Ciência e a Tecnologia rentabilizam a utilização dos recursos naturais?’ e ‘De que modo a humanidade tem contribuído para a mudança global?’ podem orientar a abordagem a realizar.

Som e luz

Produção e transmissão do som

Pretende-se que os alunos conheçam como se produz e detecta o som, as suas características e natureza, e as suas aplicações.

Esta temática pode iniciar-se com a identificação de diferentes tipos de sons e de fontes sonoras. Os alunos nestas idades interessam-se por música. Sugere-se que levem para a escola instrumentos musicais (tambor, xilofone, flauta, guitarra, viola) para classificá-los (percussão, sopro ou cordas), atendendo ao modo como os sons são produzidos. Estudar as propriedades dos sons (altura, intensidade e timbre). Também podem pesquisar sobre os instrumentos musicais usados em diferentes regiões do país e ao longo dos séculos, reconhecendo a influência da tecnologia.

Estudar a propagação do som em diferentes meios. Para isso, sugere-se a realização de experiências envolvendo a propagação do som nos sólidos, líquidos e no ar. A realização de experiências no vácuo permite mostrar que o som precisa de um meio material para se propagar.

Planear diferentes experiências com os alunos para determinação da velocidade do som no ar e levá-los, posteriormente, a realizá-las, a elaborar o relatório e a discutir os resultados obtidos. Os alunos devem investigar o que acontece ao som quando incide em diferentes superfícies e quando passa através de meios distintos.

Os alunos podem comparar diferentes materiais, realizando experiências simples (por exemplo, usando sensores), identificando aqueles que são melhores isoladores sonoros. O comportamento dos materiais na transmissão do som pode ser associado à necessidade de isolamento sonoro de casas.

Os alunos podem medir os níveis sonoros nas diversas zonas da escola, usando um sonómetro. É importante discutir os problemas de audição que surgem quando há exposição a fontes sonoras com intensidade elevada, recorrendo-se, se tal for possível, à colaboração de um médico (de acordo com a evidência médica, se se conseguir ouvir música proveniente de um walkman a uma distância de dois metros, pode haver distúrbios auditivos para quem o tiver junto do ouvido).

Sugere-se que os alunos identifiquem aplicações do som no dia-a-dia (rádio, radar, ecografia, sonar) e as expliquem.

Propriedades e aplicações da luz

Pretende-se que os alunos compreendam as propriedades e o comportamento da luz, bem como as suas aplicações.

A luz é fundamental quer para nos permitir ver tudo aquilo que nos cerca quer para nos comunicar informação. Pedir aos alunos que identifiquem sinais luminosos e que pesquisem como são produzidos, o tipo de informação que transmitem, quem os controla e a quem se dirigem (por ex. semáforos, farol, anúncios luminosos).

Realizar experiências de modo a estudar a reflexão (usando diferentes tipos de espelhos) e a refracção da luz (usando diferentes tipos de lentes e lâmina de faces paralelas). A pesquisa sobre a constituição do olho humano, as doenças de visão e o modo de as prevenir, assim como a evolução da tecnologia associada a este campo da saúde constitui um assunto importante a ser explorado pelos alunos.

Incentivar os alunos a pesquisar a utilização das fibras ópticas (por ex., em medicina e nas telecomunicações) e proporcionar-lhes a oportunidade de realizar experiências.

Realizar a experiência da dispersão da luz, identificar as cores do espectro e relacionar com o arco-íris. Encorajar os alunos a efectuar investigações usando filtros de diversas cores para interpretar a cor dos objectos com base na absorção e reflexão da radiação incidente.

É importante que os alunos observem ondas e distingam entre transferência de energia por ondas mecânicas (do mar, sonoras, sísmicas) de transferência de energia por ondas electromagnéticas (rádio, luz visível, radiação ultravioleta). As ondas que fazem a televisão funcionar transportam energia e informação desde a central de transmissão até nossas casas.

Para estudar as características das ondas (comprimento de onda, amplitude, frequência, período e velocidade das ondas) utilizar uma corda ou a tina de ondas. Usar uma mola para distinguir ondas longitudinais de ondas transversais.

Reacções químicas

Pretende-se que os alunos compreendam que a Química se refere ao modo como os materiais se transformam para originar outras substâncias. A matéria pode sofrer uma variedade de mudanças, rápidas ou lentas, espectaculares ou imperceptíveis, com ou sem libertação de calor. Incentivar os alunos a identificar, no mundo à sua volta, reacções químicas e a apresentar evidências (mudanças de cor ou da temperatura, produção de gases ou de sólidos) que apoiam os seus resultados.

Sugere-se a realização de experiências de combustão (por ex., carvão, magnésio, enxofre, sódio), permitindo aos alunos a identificação de reagentes e produtos da combustão. É fundamental começar a escrever equações de palavras para traduzir as reacções químicas. Pedir aos alunos a identificação de reacções de oxidação (por ex. respiração, enferrujamento do ferro). Pretende-se sensibilizar os alunos para o desgaste dos materiais, para a corrosão dos metais e a para a necessidade de uma constante vigilância e manutenção (referência às tintas e vernizes e ao seu papel de protecção dos materiais). Os alunos podem visitar fábricas de tintas e vernizes para se aperceberem dos processos e fabrico e das substâncias que as constituem.

Partindo de soluções do dia-a-dia (por ex., sumo de limão, vinagre, limpa-vidros amoniacal) realizar experiências usando vários indicadores para caracterizar soluções ácidas e básicas. Realizar uma experiência simples de ácido-base. Relacionar com situações comuns (por ex., a azia e o que se faz para a combater).

Questionar os alunos acerca da solubilidade de diferentes substâncias em água. Incentivá-los a pesquisar as propriedades da água existente em diferentes regiões do país, a dureza da água em diversas amostras e métodos usados para diminuir a dureza da água de consumo.

Realizar reacções de precipitação e verificar a formação de sais pouco solúveis (precipitados) a partir de sais solúveis. Este conteúdo pode ser relacionado com aprendizagens já realizadas em Ciências Naturais; por ex. relacionar com a formação de estalactites e estalagmites nas grutas calcárias e com a formação de conchas e de corais.

Incentivar os alunos a escrever as equações de palavras correspondentes às reacções químicas realizadas e a investigar o que acontece à massa das substâncias que tomam parte numa reacção química.

Velocidade das reacções químicas

Sugere-se que os alunos dêem exemplos de reacções químicas correntes e as classifiquem de acordo com a rapidez a que se processam. É importante a realização de experiências de modo a identificar factores que influenciam a velocidade das reacções químicas. Relacionar com o que se faz no dia-a-dia para diminuir a velocidade das reacções químicas (por ex. o uso do frigorífico ou a utilização de conservantes para a conservação dos alimentos).

Explicação e representação das reacções químicas

Numa primeira abordagem, pretende-se que os alunos compreendam que a matéria tem estrutura, da qual dependem as suas propriedades. Sugere-se a pesquisa de como a estrutura da matéria tem sido entendida ao longo do tempo e a procura de evidências que suportam a teoria corpuscular da matéria. Inferir o pequeníssimo tamanho dos corpúsculos constituintes da matéria e alertar para a impossibilidade dos nossos sentidos permitirem a sua observação. É oportuno referir a diferença entre átomo e molécula.

Explicar os estados físicos da matéria em termos da agregação corpuscular. A exploração de modelos, discutindo semelhanças e diferenças é uma estratégia a seguir. Programas de simulação em computador ilustrando a teoria cinético-molecular devem ser usados nesta fase. Realizar experiências que permitam relacionar volume, pressão e temperatura de amostras de gases.

Confrontar os alunos com a existência de substâncias constituídas por átomos iguais (substâncias elementares) e substâncias constituídas por átomos diferentes (substâncias compostas). Sensibilizá-los para a linguagem química de representação de substâncias (símbolos e fórmulas químicas) e para a necessidade de uma convenção universal para os símbolos químicos.

Partindo de exemplos anteriores, reconhecer que há substâncias cujas unidades estruturais têm carga eléctrica: iões. Explicar as reacções químicas em termos de rearranjo de átomos, com referência à ruptura de ligações químicas e formação de novas ligações. Representar, com exemplos simples, as reacções químicas por equações químicas. Juntar uma solução ácida a uma solução básica, indicando os produtos, e traduzir a reacção por uma equação química.

Mudança global

Descrição e previsão do tempo atmosférico

Pretende-se que os alunos tomem consciência da importância que o conhecimento do tempo atmosférico tem para a nossa sociedade e para a prevenção de desastres.

Incentivar os alunos a consultar um jornal na secção correspondente ao estado do tempo para identificar termos relacionados com meteorologia. Sugere-se a construção de um glossário de turma a que podem recorrer sempre que precisem, ao longo do estudo desta temática.

Sugere-se o planeamento e a construção de instrumentos simples que permitam estudar a variação da pressão atmosférica. Os alunos podem também construir anemómetros, pluviómetros ou higrómetros e utilizá-los na escola. Comparar os valores obtidos com os valores publicados e calcular a percentagem de erro, discutindo fontes de erro.

Sugere-se a pesquisa sobre as formas de recolha de dados em meteorologia e sobre o papel dos satélites meteorológicos.

Influência da actividade humana na atmosfera terrestre e no clima

O estudo deste tópico, tendo em conta o seu carácter interdisciplinar, deve ser realizado em coordenação com as Ciências Naturais e a Geografia. Sugere-se a realização de projectos centrados na identificação de poluentes atmosféricos, as suas possíveis causas, consequências e formas de minimização. Nesses projectos os alunos podem, por ex., analisar boletins com os valores dos poluentes atmosféricos em vários pontos do nosso país, explicar a redução do ozono na estratosfera e discutir o impacte dessa redução na vida. Os alunos devem tomar consciência da importância de se acabar com a emissão de determinados gases, tendo em vista a protecção da vida na Terra (ex. óxidos azotados e clorofluorcarbonetos (CFCs).

Gestão sustentável dos recursos

A abordagem desta temática pode ter como linhas norteadoras as três grandes questões propostas: ‘Quais são as consequências para a Terra da utilização desregrada dos recursos naturais?’, ‘Quais são as consequências das aplicações científicas e tecnológicas para a Terra?’ e ‘Como poderemos contribuir para a sustentabilidade da Terra?’.

O trabalho pode desenvolver-se na disciplina de Ciências Naturais e na de Ciências Físico-Químicas em articulação ou ser abordado de forma transdisciplinar com a intervenção das disciplinas de História, Geografia, Português, entre outras. Pode também ser desenvolvido na Área de Projecto, constituindo ocasião para os alunos realizarem actividades de pesquisa.

Recursos naturais – Utilização e consequências

Os alunos poderão começar por efectuar um levantamento e identificação dos recursos naturais existentes na sua região a partir do qual procederão ao estudo mais pormenorizado de um deles. A título exemplificativo sugere-se o estudo da extracção dos recursos minerais recorrendo, se tal for possível, a pequenos estudos locais e/ou à análise de notícias de imprensa, relacionadas com a exploração de minas, pedreiras, areeiros e respectivas consequências para os ecossistemas. A extracção dos metais a partir dos minérios deve ser abordada, dando ênfase à sua importância para a evolução das civilizações e às razões que tornam estes materiais tão importantes na nossa sociedade. Os alunos podem pesquisar acerca dos minerais existentes no nosso país (em especial o cobre e o ferro) e sobre o tratamento e utilização que deles se faz. Este conteúdo poderá ser favorável à implementação de estratégias de resolução de problemas e de tomadas de decisão.

A transformação dos recursos em produtos de utilidade ocorre através da manufacturação. Sugere-se que os alunos pesquisem sobre os materiais que existem à nossa volta e identifiquem a matéria prima que os originou (por exemplo: papel, vidro, vestuário, sacos de plástico, panelas, jóias, sal das cozinhas). É recomendada a realização de visitas de estudo a unidades industriais existentes na região e a correspondente análise dos custos, benefícios e riscos sociais e ambientais associados à actividade industrial.

O estudo da utilização dos recursos naturais, energéticos, hídricos, biológicos e respectivas consequências, poderá ser feito mediante a realização de trabalhos projecto, em grupo, no seio da disciplina. Deverá ser realçada a utilização de recursos como a água e o petróleo. Desde os tempos mais recuados a água assume um papel fundamental no desenvolvimento das populações; a abordagem a este tema poderá ser feita com recurso a actividades experimentais, análise de documentos previamente seleccionados pelo professor, pesquisa de informação e discussão. É importante realçar a importância da água na alimentação, na higiene, na produção de energia, na agricultura, na indústria.... Recomenda-se que nesta temática os alunos compreendam a existência de diferentes tipos de águas e a relação com a sua utilização para fins diversos. Os alunos poderão, mediante a análise de informação que conste, por exemplo, em tabelas e gráficos, identificar semelhanças e diferenças, nomeadamente relativas à presença de iões, entre a ‘água da torneira’ e outras. A comparação da composição química de diferentes ‘águas minerais’ poderá levar à distinção entre águas de nascente, água mineral, água termal e água medicinal.

Pode ainda ser efectuado um levantamento sobre: consumo médio diário de água por pessoa, fonte de abastecimento do meio local, necessidades locais, tratamento da água antes de chegar à torneira. A leitura de gráficos e/ou tabelas relativos aos valores médios dos gastos de água para uso industrial, agrícola e doméstico, à percentagem de água consumida em relação aos recursos existentes, e à evolução do consumo mundial de água por ano, poderá também incentivar os alunos a não desperdiçar este bem propondo e implementando na sua casa e na escola acções conducentes a evitar o seu desperdício. Em conformidade, sugere-se a análise da Carta Europeia da Água, bem como de outros documentos de legislação internacional e nacional, discutindo o seu incumprimento e a divulgação dos resultados na comunidade educativa.

Recomenda-se o estudo do consumo de combustíveis fósseis, dando especial ênfase à velocidade e ao modo de consumo comparativamente com o modo e tempo de formação. Para o estudo de soluções alternativas para minimizar a dependência face aos combustíveis fósseis sugere-se a análise de situações reais, como a construção de barragens, de centrais nucleares, de centrais eólicas e de painéis solares, a biomassa... envolvendo os alunos na análise da razão benefício/ custos e culminando em tomadas de decisão na selecção da solução ou soluções mais adequadas considerando toda a informação que possuem. Também o petróleo, pela importância que assume no nosso quotidiano, deve ser alvo de especial atenção por parte dos alunos, para que compreendam como a indústria do petróleo tem vindo a afectar as sociedades contemporâneas. Para isso, podem ser incentivados a pesquisar sobre a utilização dos derivados do petróleo no dia-a-dia, vantagens e inconvenientes associados ao seu uso. A pesquisa a realizar pode contemplar a constituição química do petróleo, extracção e processo de refinação, transporte antes e após tratamento nas refinarias, evidenciando procedimentos de segurança a ter em conta e custos envolvidos. A discussão da variação do preço do barril de petróleo, por exemplo, durante um mês, identificando as razões que contribuem para essas alterações pode ser uma actividade a explorar. É importante que o professor incentive os alunos a responder a questões como ‘Quando o preço do petróleo sobe para preços que não são comportáveis para ser usado, o que poderemos nós fazer?’. Sugere-se uma visita a uma refinaria para observarem e registarem dados sobre o processo de refinação do petróleo e sobre os produtos resultantes.

Os alunos podem pesquisar materiais de que são feitas a maior parte das nossas roupas que actualmente substituem cada vez mais os materiais naturais como algodão, lã, seda, ou borracha. A verificação de etiquetas de vestuário será uma estratégia que permitirá constatar a origem sintética dos materiais. Outro aspecto tem a ver com os materiais de que são feitos objectos de uso corrente e como substituíram também materiais tradicionais.

Protecção e conservação da natureza

A extracção, transformação e utilização dos recursos naturais produz, em diferentes momentos, resíduos e lixos que é necessário considerar. A realização de visitas de estudo a aterros sanitários e/ou a incineradoras são exemplos pertinentes para promover a discussão de diferentes questões, frequentemente mobilizadoras da intervenção pública e de manifestações populares. Uma dessas questões poderá ser ‘Qual é a localização mais adequada para o armazenamento dos resíduos?’ Uma actividade a realizar consiste na análise de documentos previamente seleccionados pelo professor que evidenciem conflitos de interesses inerentes a estas questões. Esta temática favorece a promoção de ambientes de aprendizagem baseados na resolução de problemas e em exercícios de tomada de decisão.

As visitas de estudo a estações de tratamento de águas residuais (ETAR) poderá proporcionar aos alunos o contacto directo com diferentes processos (físicos, químicos e biológicos) pelos quais é possível o tratamento de águas provenientes dos esgotos, de actividades industriais, domésticas e agrícolas, entre outras, por forma a ser obtida água de novo potável.

Com estas, ou outras actividades, pretende-se mobilizar os alunos para a importância da reciclagem dos resíduos (lixo, água, papel, lata, entre outros) e, ao mesmo tempo, sensibilizá-los para a necessidade de preservar, e economizar os recursos naturais. De forma complementar os alunos poderão partir da análise do que se passa no meio local, através do diagnóstico da situação relativa ao depósito dos lixos doméstico, industrial e hospitalar, por exemplo, (periodicidade de recolha, recipientes de depósito, existência e localização de ecopontos e de ecocentros), seguida de um levantamento, junto da Câmara Municipal da sua área, sobre a quantidade de lixo produzido por habitante, modo de recolha e tratamento do mesmo. Ainda neste âmbito, os alunos poderão elaborar panfletos de divulgação sobre a separação do lixo doméstico, local de depósito e modo de tratamento do mesmo por forma a intervirem junto da comunidade.

Tendo presente a necessidade de extrair, transformar e utilizar os recursos naturais e as vantagens e inconvenientes associados a estas acções, os alunos terão ocasião de pensar e sugerir propostas relativas a uma gestão racional dos recursos, comparando-as posteriormente com documentos actuais sobre este assunto (por exemplo o protocolo de Quioto, assinado a 11 de Dezembro de 1997). Debater a polémica centrada em torno deste Protocolo (discutido em Haia nos meses de Março-Abril de 2001).
Sugerem-se outras actividades como a realização de visitas de estudo a uma ou várias das seguintes áreas: Parque Nacional, Parque Natural, Reserva Natural, Paisagem Protegida e/ou Sítio Classificado, recolhendo elementos documentais (fotografias, diapositivos, vídeos) que evidenciem características das áreas visitadas (fauna, flora, geologia da região, formas de relevo...) e o impacte ambiental produzido por acção humana por forma a que, de seguida, discutam e reflictam sobre os dados recolhidos e os analisem permitindo a introdução de questões directamente relacionadas com a sustentabilidade. Os alunos podem comunicar os seus resultados e conclusões em pequenas brochuras para consulta na biblioteca escolar, na internet (página da escola) ou no jornal da região.

Questões passíveis de interesse e alvo de discussão pública recente, como por exemplo, a construção do túnel da CREL (periferia de Lisboa), a preservação de uma parte da Pedreira do Galinha na região de Ourém, a protecção do Monte Santa Luzia em Viseu, do campo de Lapiás em Negrais (Pêro Pinheiro), a tentativa de protecção da Pedra Furada (Setúbal)... poderão constituir outros exemplos a ser investigados pelos alunos, no sentido de compreenderem a complexidade de relações que se estabelecem entre a Ciência e a Sociedade, sensibilizando-os para a importância da conservação e preservação dos geomonumentos. Riscos das inovações científicas e tecnológicas para o indivíduo, a sociedade e o ambiente.

A este nível sugere-se a discussão de problemáticas reais, como por ex. acidentes em centrais nucleares, o lançamento para a atmosfera de fumos provenientes de queimas, a adição de chumbo à gasolina, o lançamento de resíduos industriais para os rios. Estas problemáticas poderão constituir oportunidade para discussão sobre questões de natureza social e ética que permitam aos alunos momentos de reflexão a propósito dos prós e contras de algumas inovações científicas para o indivíduo, para a sociedade e para o ambiente.





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